Não sei exatamente quando desaprendi a demonstrar e aceitar afeto, acredito que tenha sido por volta dos 12 anos. Então, a pelo menos 10 anos, convivo com bloqueio emocional. Esse bloqueio é especificamente voltado para a minha família, apesar de ter aprendido a disfarçar e até mesmo ceder um pouco de atenção, o sentimento de raiva e desconforto nunca somem.
Além da demonstração física de afeto em si, não consigo desabafar no geral, não tenho confiança o suficiente neles, até um certo receio de parecer fraca. Acredito que tenha começado como um modo de defesa, hoje é quase que uma regra. O "eu te amo" é bem raro, apesar de eu demonstrar o amor de maneira prática, com ações. Tudo isso é muito contraditório, já que desde a adolescência fui procurando em relacionamentos e amizades o afeto e atenção que me faltavam, mas que eu também não me permitia ter, quase como se não fosse merecedora.
Eu já estava acostumada com essa parte da minha mente, mas agora na reta final da gravidez, me surgiu os seguintes questionamentos: "Será que eu vou conseguir demonstrar amor pela minha filha?" e "Minha filha vai conseguir entender o porque eu sou fria e que não é culpa dela?". Enfim, não quero criar uma criança complexada e fudida da cabeça por culpa da minha criança fudida e complexada.
Complexo né?




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