Vou tentar escrever esse relato com o máximo de precisão de detalhes que me lembro (o que hoje, 5 dias pós-parto, já não é muita coisa), e se tratando de que provavelmente vou ter que escrever em partes, afinal, tenho um recém-nascido em casa agora, vamos torcer para o melhor. Dia 28 de abril de 2023, sexta-feira, 39 semanas e 1 dia, também conhecido como o dia mais feliz e traumático da minha vida. Parecia um flashback de 35 semanas antes, eu acordando o Alisson pra dizer que algo estava acontecendo, mas dessa vez, invés de um teste positivo, era o anúncio de que a bolsa tinha rompido.
Não foi como nos filmes ou como nos 60 mil vídeos de parto que eu tinha assistido disseram que ia acontecer, não fez BUM ou molhou a cama toda, não, só começou a escorrer. Eu tinha me preparado a semanas pra isso, inclusive no dia anterior tive consulta e já estava cogitando induzir com 39 semanas, eu já não aguentava mais, e pelo jeito, dona Helena também não. Mandei mensagem para a médica avisando do acontecido, já que se fosse a bolsa mesmo, precisava começar o antibiótico logo por conta do Strepto+. Ela confirmou que era a bolsa, liberou para começar a medicação e pediu para me avaliar às 13:00 para ver o andamento do trabalho de parto, afinal, já tinha começado a sentir alguma coisa acontecendo, eram só cólicas, mas já era alguma coisa.
Chegamos às 12:40 e o hospital estava cheio, tinha tido um acidente 15 minutos antes. A doutora me chamou para a avaliação e a bolsa terminou de romper na mão dela, e dessa vez sim, molhou a maca toda. Estavamos oficialmente em trabalho de parto. Fui para casa para progredir um pouco mais antes da internação, retornaríamos às 17:00. Fiquei das 14:00 às 16:40 sentindo as primeiras contrações em casa, fiz exercício na bola e arrumamos o que faltava, agora era só aguentar até o horário da internação. Cheguei no hospital e ocupamos o último leito disponível (sim, ele realmente tava cheio).
As primeiras contrações foram tranquilas e quase nada ritmadas, algumas duravam 1 minuto, outras 3 minutos, mas estavam ficando cada vez mais fortes. A fisioterapeuta obstétrica (te amo Maria) chegou e de todos os exercícios ensaiados desde as 16 semanas para o momento do parto, eu odiei todos. Nenhuma posição ajudava, nenhuma massagem fazia passar, a não ser esperar o tempo da contração mesmo. Vomitei a única refeição que tinha feito no dia por conta da dor, vomitei até a bile, e por incrível que pareça, ainda não era o ápice. Fomos para o chuveiro e lá sim, tive minutos de paz, até me encaminharem para o Centro de Parto Normal.
Cheguei no Centro com 4cm de dilatação, fui direto para o chuveiro e não fazia mais o mesmo efeito que no quarto. Não sei quantas horas fiquei com os mesmos 4cm, mas a médica decidiu intervir, fui puncionada e começamos com a ocitocina e ai sim, eu senti dor. Nenhuma dor, nenhuma contração que eu já tinha sentido se comparava com as que vieram a seguir, elas não tinham fim. Não era como antes que tinham intervalos e durações, aquela era infinita, ela só diminuia levemente a intensidade, mas não ia embora. Fizemos a ocitocina às 20:00 e às 23:11 ela nasceu. Dilatei os últimos 6cm em questão de 3 horas. Eu chorava de dor, implorava por epidural, eu só queria um descanso, eu não pensava mais (aquela era a tal da partolândia?). Assistiram o meu parto: Talita (dinda e técnica do Bloco), Dra. Patricia (obstetra), Maria Luiza (fisioterapeuta) e o Alisson (papai) e eu odiava cada um deles naquele momento. Quatro pessoas me vendo implorar por misericórdia e ninguém fazia nada. Comecei a sentir a tal vontade de fazer cocô com uns 8cm, todos me incentivaram, disseram que ela tava quase lá.
Helena nasceu na banqueta, nas mãos do pai, com 3374kg e 51cm. Helena nasceu sem respirar (eu percebi isso, tentei ajudar esfregando as costinhas), a dra. cortou o cordão e levou ela. Eu sabia que tinha algo errado, mas a dor tinha passado, eu só conseguia repetir "Eu consegui! Passou tudo!", mas eu não ouvia o choro da minha bebê. Helena nasceu sem pediatra na sala, já que a escolhida no pré-natal simplesmente ignorou o chamado do hospital para assistir o meu parto, a dinda foi correndo chamar a plantonista. Enquanto isso, eu começava a sangrar do outro lado da sala. Quando digo que se não fosse pelo nascimento da minha filha esse dia seria só trágico, é por que é verdade. Eu tive hemorragia pós-parto, grave, bem grave. Todo o protocolo de hemorragia foi aplicado em mim, recebi medicação em todas as vias possíveis para parar o sangramento e simplesmente não funcionava. Eu não sentia nada (assim como com a nenê, eu sabia que tinha algo errado, eu sabia o que significava os termos e pra que servia as medicações que todo mundo estava correndo pra conseguir), mas eu simplesmente não estava nervosa. Todos naquela sala de parto eu conhecia, eu confiei minha vida e a vida da minha filha nas mãos de todas as profissionais maravilhosas que estavam lá, e elas conseguiram, assim como eu tinha conseguido. Helena começou a respirar e eu comecei a parar de sangrar.
Então finalmente, o parto tinha acabado. Mas como todo castigo pra corno é pouco, começou o puerpério.
Ps: demorei 3 dias para conseguir escrever.





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